Sebastião A. da Silva

Sempre tenho um pequeno sentimento de pena por aqueles que não têm nenhum conhecimento de xadrez.” – Siegbert Tarrasch

Sebastião Antonio da Silva foi uma das personalidades mais interessantes do Clube de Xadrez Guanabara nos anos 70 e 80. Infelizmente eu só o conheci no início dos anos 80 e de fato pouco sei dele além dos seus histriônicos, irônicos e inteligentes comentários, da sua risada contagiante e, principalmente, de seus brilhantes estudos de finais de partida. Quem realmente era, e o que fazia, Sebastião Silva fora do CXG sempre foi um mistério para mim.

Os seus estudos são reconhecidos mundialmente a ponto da minha primeira conversa com John Roycroft no 50o. congresso da PCCC em Rhodes, Grécia, no final de 2007 ter sido:

- Olá, Sr. Stelling. O Sr. é o delegado do Brasil no congresso ?
- Sim, Sr. Roycroft
- Que ótimo! O Sr. tem notícias de Sebastião A. da Silva ?

Na verdade creio que nenhum outro assunto interessava a ele e como eu não tinha muito a dizer sobre o nosso mestre da composição de estudos a conversa minguou britânicamente até um silêncio mútuo.

Me senti em dívida depois desta conversa: em dívida com John Roycroft, em dívida comigo e principalmente em dívida com Sebastião Silva. É uma vergonha que eu não tenha um registro da vida e da obra de Sebastião A. da Silva.

Este post é o início de um trabalho de resgate.

De um lado eu deixo aqui o pedido a qualquer pessoa que tenha alguma informação do Sebastião ou dos seus problemas que me envie tudo o que puder, o resultado final será compilado e publicado aqui.

De outro lado estou fazendo o meu próprio trabalho de pesquisa e já resgatei alguns problemas do mestre. Alguns estavam publicados na revista EG, do mesmo John Roycroft, outros publicados online no Problemas de Xadrez, do Leo Mano e uns poucos mais eu localizei em buscas na internet.

O próximo passo, em relação à sua obra, é conseguir consultar a base de dados de estudos de Harold van der Hajden. É bem provável que todos os seus problemas publicados estejam na base de dados.

Enquanto isto passo a palavra para o próprio Sebastião Silva, através das suas composições.

Sebastião A. da Silva
Shakhmaty v SSSR, 1972
3o. Prêmio
Brancas jogam e ganham
Brancas jogam e ganham

Me lembro claramente de ver o Sebastião mostrando este final para alguns jogadores no Guanabara.

Quando alguém dizia que as brancas ganhavam facilmente, Sebastião jogava de pretas. Por fim o mesmo jogador era convencido pelos lances precisos do mestre (lances algumas vezes impactantes e barulhentos também, à medida que Sebastião aumentava a força com que batia as peças no tabuleiro e o volume das suas risadas!) e dizia que as pretas empatavam ou mesmo ganhavam! Sebastião trocava de lado e jogava o mesmo final de brancas, ganhando outra vez! Tinha uma certa semelhança com a estória do Caixeiro Viajante do Félix Sonnenfeld, só que executada ao vivo, à cores e debaixo de uma chuva de ironias do mestre compositor.

Hoje em dia, já calejado por resolver muitos estudos, já não acho este final misterioso como achava naquela época, mas o prazer em acompanhar a solução continua o mesmo! Deixo a bola com vocês, mais tarde, como de costume, veremos a solução!

2 Respostas para “Sebastião A. da Silva”

  1. O primeiro prêmio « Problemas de Xadrez Disse:

    [...] o primeiro artigo sobre Sebastião Silva encontramos 34 finais de sua autoria publicados em revistas internacionais, começando por um [...]

  2. Sebastião A. da Silva Disse:

    oi Stelling

    cá é o Sebastião, o próprio

    telefone-me: **-****** (omitido pelo editor)

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