“A batalha pela verdade final jamais será vencida. E por isto o xadrez é tão fascinante.” – Hans Kmoch
Desde o primeiro artigo sobre Sebastião Silva encontramos 34 finais de sua autoria publicados em revistas internacionais, começando por um estudo de 1968 com características antiquadas e excepcionalmente longo (a variante principal tem 22 lances, a maior entre todas as suas composições) publicado em Shakhmaty (Riga) até um estudo dinâmico e moderno premiado por Chess Life & Review em 1982.
Neste período de cerca de 14 anos percebe-se o processo de amadurecimento de Sebastião Silva como compositor e testemunhamos o aparecimento de um talentoso e criterioso criador. Apesar de uma produção limitada a principal característica do seu trabalho é a qualidade do material.
Sebastião A. da Silva
Shakhmaty v SSSR, 1972
3o. Prêmio
Brancas jogam e ganham
O estudo publicado no primeiro artigo de Sebastião Silva marcou a segunda vez que o compositor fora premiado: no ano anterior Sebastião Silva havia empatado em primeiro lugar na Shakhmaty de Riga com um estudo de torres que contém uma importante contribuição para a teoria de finais. O impressionante é que em um tempo sem Tabelas de Finais Sebastião consegue, naquele final, descobrir o difícil caminho para o empate.
Vejamos a solução do problema que mostramos no primeiro artigo. As brancas possuem vantagem material mas o cavalo de g6 está atacado e existe a possibilidade do peão de d3 promover. O cavalo precisa sair de g6 com cheque para ganhar o tempo necessário para conseguir o bloqueio do peão de d3.
1. Ce7+ (se 1. Ch4+ Rg4 e o cavalo é forçado a mover-se sem cheque) 1. … Rf6 2. Cg8+ Rf7, agora o rei branco precisa mover para defender o cavalo de g8 com cheque, em princípio há apenas dois candidatos: 3. R:d4+ e 3. Rd6+. Se 3. R:d4+ Rf8 e agora o plano das pretas é jogar Bh5 seguido de Bf7, o cavalo de g8 não terá como escapar, por exemplo 4. Cc1 Bh5 5. C:d3 Bf7 e empata. Na verdade o peão de d4 é essencial para ter a opção de trocar os bispos e entrar em um final de dois cavalos contra peão vitorioso!! Assim a única chance é 3. Rd6+! Rf8 4. Cc1! Bf1! (se 4. … Bh5 5. C:d3 Bf7 6. B:f7 R:f7 7. Ce7 e as brancas ganham: de acordo com a tabela de finais há mate em 79 movimentos!) 5. Ce7 d2 6. Cg6+ Re8 7. Cd3!!, genial! Este movimento atrai o bispo para d3 permitindo o arremate final 7. … B:d3 (se 7. … Be2 8. Cf2) 8. Ba4+ Rd8 (8. … Rf7 é repondido com 9. Ce5+ seguido de 10. C:d3, ganhando) 9. Ce5 d1=D (se 9. … Bf5 10. Cc6+ seguido de 11. Ce7+) 10. Bd7! e as brancas ganham!!
Este é um final difícil com várias surpresas táticas, que marcam o estilo de Sebastião Silva.
Abaixo está o estudo que deu ao compositor brasileiro o seu primeiro prêmio em competições internacionais.
Sebastião A. da Silva
Shakhmaty (Riga), 1971
1/2 Prêmio ex aequo
Brancas jogam e empatam
Simples, não ?
Deixo para vocês resolverem esta composição de aparência ingênua. Mas eu aviso: este final não é solucionado pela maioria dos programas de xadrez!
Junho 08 (Domingo), 2008 às 12:25 am
[...] para serem resolvidos mais tarde, um de Yochanan Afek (nesta página) e outro de Sebastião Silva (nesta página). Vamos ver suas respectivas [...]